A História de Samuel e Helen - parte 14

Helen volta para casa e fica esperando a noite chegar.


- Helen – diz um dos seus tios – passe para mim o tomate, por favor.
- Vocês viram a confusão hoje na igreja? – diz a avó de Helen – Que coisa horrível, agora não podemos nem mais ter o nosso lugar de adoração, sem que alguém nos incomode.
- Foi horrível mesmo – o outro tio dela.
- Para você ver Helen – diz sua avó – é nisso que você iria se transformar caso não a salvássemos.

Helen aguenta tudo pacientemente, todas as provocações de seus familiares. Chega a noite e todos já dormem na casa da sua avó. Ela abre a porta do seu quarto, que está no segundo andar, quando está descendo as escadas ouve um barulho estranho vindo do quarto de seus tios, depois de alguns segundos ela decide ver o que está acontecendo no quarto de seus tios. Atrás da porta ela ouve a respiração ofegante de seus dois tios, intrigada abre a porta, então sai correndo tentando não fazer barulho. A sala aonde ela quer chegar fica perto da porta de entrada, ela caminha até a sala a fim de pegar a chave da caminhonete de seu tio. Quando pega a chave, ouve um barulho vindo de um dos quartos de lá de cima. Então se esconde atrás do sofá. É o seu tio que está descendo as escadas. Esse é o tio dono da caminhonete, ele está descendo, passa pela sala e vai para cozinha, nisso ela tenta correr para seu quarto, mas quando se levanta derruba as chaves. De súbito o tio de Helen a olha.

- Oi sobrinhazinha, querida.
- Eu já estou subindo. – gagueja Helen.
- Não precisa subir agora, você pode ficar mais um pouco.
- Não... eu tenho que dormir.
- O que é isso em suas mãos? – diz seu tio chegando mais perto de Helen – São minhas chaves? Você quer fugir com minha caminhonete? Por que você quer fazer isso? Nós te tratamos tão bem, te damos de tudo. E você quer fugir?
- Não, eu não ia fugir. Só...
- Bem, agora que você não vai fugir mesmo. Vem aqui!

Seu tio a agarra e começa a beijá-la.

- Sai, seu nojento!

Helen dá-lhe uma joelhada, pega a chave e corre para seu quarto. Seu tio a segue até o quarto. A porta está trancada, temendo que alguém acordasse e o pegasse tentando abrir a porta do quarto de Helen ele desiste e segue em direção ao seu quarto. Lá dentro ela abre a janela e sai da casa se escorando no que pode. Na garagem está a caminhonete de seu tio, Helen já o viu dirigindo algumas vezes e acha que pode fazê-lo também. Ela dá a partida e ao sair da garagem bate no portão que ainda está abrindo. As luzes da casa se acendem, mas Helen já está dirigindo rumo à delegacia, mesmo que de maneira desordenada.
Na delegacia:

- Você acredita? Ele entrou na igreja. – diz um dos dois guardas de Samuel.
- Eu o vi! Tentei segurá-lo, mas de alguma forma ele escapou. Foi muito estranho.
- Agora acho que ele ficará um bom tempo mofando na cadeia.
- Logo vamos dar um fim nele, você vai ver.

Enquanto conversam, os guardas ouvem um grande estrondo na parte de trás da delegacia.

- O que foi isso?
- Vamos verificar!

Quando chegam veem Samuel entrando na caminhonete e a caminhonete andando para trás.

- Vou chamar reforços. – diz um dos guardas.

Enquanto isso o outro atira contra os pneus da caminhonete, mas sem sucesso. Então Helen e Samuel fogem.

- Você veio atrás de mim. Eu sabia que você ia vir.
- Uma vez eu te disse, Samuel, que eu ficaria perto das pessoas que amo.

Com não muito tempo andando rumo à saída da cidade uma viatura de polícia começa a persegui-los.

- Veja! – diz Helen ajeitando o retrovisor – estão atrás da gente.

A perseguição se estende para fora da cidade, os policiais atiram contra a caminhonete e acertam um dos pneus traseiros, Helen perde o controle do automóvel e a caminhonete capota pela estrada. Helen se vê dentro do carro dos seus pais, no deserto próximo a aldeia. A fumaça é intensa, o calor escaldante. Ela está presa entre as ferragens, tenta se esforçar para sair, mas seu corpo está todo machucado. Olha para seus pais e os vê mortos, ela chora bastante. A emoção de rever seus pais com a triste cena de morte trás lembranças dolorosas. Então ela ouve passos, são os canídeos do deserto que se aproximam aos montes. Eles mostram seus dentes como se quisessem mostrar sua força. A matilha ataca.

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